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Os peregrinos, de espinho e chifres,
Trazem venenos e um cetro.
Tempos impróprios
Para boas intenções.
O último deles traz más notícias
O profeta sofre
Todas as cidades, todas as fortalezas
Os muros no chão.
Se queres descer, basta dizer
O mais difícil é cair de pé
Enquanto a estrela sangra
E o veneno alimenta.
As gaiolas cantam, o cabelo cai
As pétalas caem em silêncio
Ninguém sabe o nome dos mortos
Caminhos de cruzes, sem Cristo
Cidade infestada de praga e peste
O circos chegou
E mil palhaços tão sujos, doentes
Vendem um disco cada um.
Você pode segui-los à vontade
Eles não vão a nenhum lugar
Os condenados repousam
Nas ruas vestidas tristemente.
Você pode acreditar em seus laços
E terminar sem nenhum
Pode protestar também
E os prédios não vão cair.
Na praça sem bancos
Os mendigos se arrastam.
A prostituta se esconde
Da sua primeira noite.
Salmos (fev/2009)
Se lembra do dia e do medo,
E não lembra deles tão cedo
Os lábios amargos se lembram
Dos livros fechados
De muito barulho e fumaça
E as janelas fechadas com blocos,
De antigas promessas
E medo a cada passo.
As roupas velhas
Entre as duas estações
Me falam sobre amor
E eu penso num caixão.
As ruas não têm espaço
E nas janelas dos ônibus
Eu penso sobre Lázaro e Ártemis
Debaixo do viaduto.
Sentado num túmulo leio poemas mortos
Não ligo para tumbas cheias de jóias
Os corredores estão vazios
Apenas tiraram um monte de fotos.
As pessoas no telefone
Não sabem para onde vão
Sentadas atrás das mesas
Vendo as vidas sem sentido na televisão.
A tesoura cega rasga o seu lixo
E o cabelo que não cresce
Os bebês estão nas portas
Junto aos sacos de papel.
Cacos de vidro e lama nos lençóis
Lâmpadas em pedaços
A chuva entra nos eletrodomésticos.
Promessas quebradas e trabalhos sem braço.