Salmos (fev/2009)
Se lembra do dia e do medo,
E não lembra deles tão cedo
Os lábios amargos se lembram
Dos livros fechados
De muito barulho e fumaça
E as janelas fechadas com blocos,
De antigas promessas
E medo a cada passo.
As roupas velhas
Entre as duas estações
Me falam sobre amor
E eu penso num caixão.
As ruas não têm espaço
E nas janelas dos ônibus
Eu penso sobre Lázaro e Ártemis
Debaixo do viaduto.
Sentado num túmulo leio poemas mortos
Não ligo para tumbas cheias de jóias
Os corredores estão vazios
Apenas tiraram um monte de fotos.
As pessoas no telefone
Não sabem para onde vão
Sentadas atrás das mesas
Vendo as vidas sem sentido na televisão.
A tesoura cega rasga o seu lixo
E o cabelo que não cresce
Os bebês estão nas portas
Junto aos sacos de papel.
Cacos de vidro e lama nos lençóis
Lâmpadas em pedaços
A chuva entra nos eletrodomésticos.
Promessas quebradas e trabalhos sem braço.
sábado, 23 de outubro de 2010
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