Mostrando postagens com marcador poetry. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador poetry. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 10 de novembro de 2022

 Por que os prédios dos mercados são tão altos
 se já não há nada à venda ?

(2018)

 Por que os prédios dos mercados são tão altos
 se já não há nada à venda ?
Não legalizem os fuzis, legalizem as baionetas.
O linchamento é um estilo de vida,
O bombardeio é um estilo de vida,
O tiroteio é um estilo de vida.
Papoulas crescem nos campos de Flandres
O pássaro não diz um pio
Gabriel Garcia Marques sonhava acordado porque
 não dormia
O mesmo que Kafka e o Cristo antes dele,
Porque somos como um vaso com que se apanha água
 num rio
Mas o rio está cheio de dejetos. ///
Enquanto eles compartilham textos o maníaco do parque
 recebe cartas de amor
O maníaco do parque é real.
A América envia os seus jovens ao deserto
Empoderados por tenazes baionetas;
Eu me pergunto se Suzane von Richtoffen já pensou em
fazer um canal//
Algumas pessoas são alvo e outras não;
Assim é a democracia.
Os homens não lidam com certas coisas,
Os brancos não lidam com certas coisas,
Os chefes não lidam com certas coisas;
Estão cortando nossas cabeças //
Enquanto eles compartilham textos o maníaco do parque
 recebe cartas de amor;
O maníaco do parque é real //

 

sábado, 22 de outubro de 2022

 

 

Ângela, você me faz chorar quando cortam suas asas 

(2022)


Eu tenho dormido demais e os pesadelos duram até o fim do dia 

Faz tempo não nos falamos; alguns são livres, outros não
As minhas drogas são legais, as suas drogas não são
Todos os meses uma guerra se inicia
Minhas camisas viraram pano de chão

Escrever música não é o que eu pensava
Comprei uma camisa nova e não serviu 

Ângela , você me faz chorar quando cortam suas asas

 

 


domingo, 24 de julho de 2022

 

Feridas
(2012)

As  feridas nos seus pés
São seus sonhos sobre amor.
Chama alguém de salvador?
Eu nem sei o que pensar.

Tire as fotos dos cenários,
Limpe as lágrimas dos jornais
Vão-se os dedos ficam os anéis.


sábado, 28 de setembro de 2019

quinta-feira, 4 de abril de 2019

Aforismas

Bolsonaro , vestindo a mortalha de Saturno, foi em nossos tempos
a imagem da “ reação” popular, a Vendeia do Brasil, o povo em armas
[gesticuladas]  que protegeu as cores dos Bragança & Habsburgo
contra o usurpador vermelho & barbudo Luiz Inácio. 


Das eleições de 1989 a 2018 Saturno retornou ao seu domicílio ,
e delegou à oligarquia fundiária ,  banqueiros , a alta burocracia civil
e militar,  empresas estrangeiras e todo o pessoal do grande acordo
imperial do século XIX  o posto em Brasília [de onde nunca saíram]
 através de um fantasma ,  o “ mito”  de Bolsonaro - como ocuparam
através de Collor 30 anos antes.

(2018)

terça-feira, 5 de junho de 2018

Judas

Labirintos da cidade
É tão fácil se perder -
E a casa tinha um teto ,
Homens de pouca fé

(2009)

domingo, 29 de abril de 2018

 As Jornadas de Junho

O flagrante que a rede globo autua apenas o jornal estado
de são paulo indefere - as duas instâncias superiores no
país dos linchamentos,

Parteira do grindcore e da sujeira ,  onde o
psicótico europeu veio fazer sentido (Tatunca
Nara) .

Em junho de 2013 , o povo foi às ruas salvar uma moça indefesa,
jornalista da Folha.

Haddad era a cara de 68, na São Paulo de 1868.

An Israeli bulldozer killed poor Rachel Corrie as she stood in its
path in the town of Rafah

O ritmo da vida em nossa aldeia é compreensível quando
se sabe que o soldado europeu veio do mar a passar
fome.

“O oficial tinha entre seus privilégios a possibilidade
de embarcar uma galinha”. A caravela navega cheia
de sede de vingança.

Enquanto há leis nos Estados Unidos que regulamentam
até o gang bang.

O derramamento de atrizes nuas na internet expressa o
grave desequilíbrio do estoque de pussies na economia
global.

(2014)

I

No antigo regime, nobres e plebeus compartilhavam o mesmo
território, apesar da sua hierarquia e diferença. Os historiadores
reacionários observam (saudosos) que a favela e a criadagem
montava suas camas dentro dos palácios de Paris no século XVII
(cf. Philippe Ariés. História Social da Criança e da Família).

Muito antes disso Martinho de Braga acusava a presença do
“rústico” no seio da cristandade, o pagão não latinizado que
um dia seria , entre nós brasileiros, os negros e tupis.

Herdamos da antiguidade tardia e do antigo regime o “tropos”
de uma sociedade cindida entre o alto- latino cristão e o baixo-
bárbaro pagão.

Marcos Camacho foi nos nossos tempos o expoente dessa metade
inculta e “desértica” (ou selvagem) do território romano;  mais
tarde o subúrbio (periferia) pan- africano e tupinambá. É ele que,
como chefe de facção , preside o imaginário dos jovens pardos
– o Che do Brasil,ele, e não  Marighella.

O vice- presidente Michel Temer, jurista constitucionalista e
chefe de uma outra facção brazílica, personifica o colonizador
e a igreja romana, a ortografia etimológica e as belas letras
(belles lettres) – o é nóis vs. Vossa Excelência (expressões latinas
na raíz sem dúvida, que o rústico conhece nas latinizadas
delegacias.  

O policial, como a academia, se expressa no alto português que
o crime organizado inverte e ironiza, ou desconhece:

“Saímos em diligência policial e constatamos a veracidade”

“ladrão não sô, trabaio lá no –— lá, faço carreto lá, de boa”

II

 Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos
como ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores. Por seus
frutos os conhecereis. Porventura, colhem-se uvas dos espinheiros
ou figos dos abrolhos?
( Mt, 7,   15-16) 

 
A família de militar,  herdeira do coronelismo, guarda as vielas mal
frequentadas, pari passu  seu reverso dual,  o crime, às vezes
fundido no miliciano , vanguarda ,  portanto, do atraso;

Igreja e Rei,  Disciplina , são as teias sobre as quais empunharam
suas armas cavaleiros e  bandidos desde o princípio dos tempos.

De gaveta em gaveta do IML a PM fabrica as estatísticas que
o sociólogo teoriza em seu gabinete, de onde a tensão entre
a  PM fascista  e  a universidade comunista (sic).

Há um  vazio no trono desde o regime militar ,  Vargas  e Pedro II .

No país crescentemente liderado por mães , onde mulheres
ascenderam a poucas mas proeminentes posições acadêmicas
e políticas, os influenciadores digitais encontram neles a figura
paterna

“Aquele que ouve estas minhas palavras e as não cumpre,
compará-lo-ei ao homem insensato, que edificou a sua casa
sobre a areia.  
E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e
combateram aquela casa, e caiu, e foi grande a sua queda”
(Mt, 7,  26-27)

(2015-17)

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

 

Reforma

 Lutero pregou na Igreja dos Santos
Que o papa não salvaria senão a si mesmo, dizendo:
“Organizem as escolas municipais”.
 No  Castelo dos Santos,
Em Wittemberg, 1517.

Thomas Müntzer, um black bloc em seus dias,
Veio a perder a cabeça
No nobre patíbulo do diabo (Passio; passión; patio; patíbulo).
Lutero teria perdido também a sua, não fosse a cavalaria germânica
Vir contra a Igreja de Espanha
Em seu socorro.
Os camponeses   não puderam salvá-lo,
Mas fizeram companhia.


(2016)

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

 

À Revolução Russa de Fevereiro
 
Entre a  favela  e os playboys, do bairro vizinho,
Na rua de terra sem água  (água do poço),
Algumas casas com telefone, outras não.
As crianças do cortiço eram mais pretas que as outras
De alguma parte entre  Minas e Bahia, 
E não se misturavam
Conosco.
Minha mãe tinha mais simpatia
Pela família de adventistas
Que vivia em frente,
Esta senhora que, dizia-se,
Uma vez afogou uma ninhada de gatinhos
No tanque de roupa. ///

Na Rússia, do mesmo modo,
Existiam nobres, burgueses, operários e camponeses,
Em fevereiro de 17.
Uns eram “Tovaritch” (companheiros),
Outros não.
O Czar era sobrinho da Rainha da Inglaterra,
A rainha era tia do Kaiser Guilherme.  
Lênin descendia de turcos,
Trótski de judeus.
E a primeira ministra de Estado do mundo se chamava Alexandra Kolontai


(2016) .

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

      For you O Democracy

 
Walt Whitman
translation: me

Venha, criarei um continente indivisível,
E a raça mais esplêndida sobre a qual o sol já brilhou.
Terras magnéticas, divinas,
   Com o amor dos camaradas,
   O amor duradouro.

Plantarei companheirismo firme como as árvores ao longo de todos os rios da América
E ao longo das margens dos grandes lagos, e em todas as pradarias.
Cidades inseparáveis, os braços ao redor do pescoço
Pelo amor dos camaradas,
O amor viril.

Para ti, ó Democracia, para servi-la, querida!
Para ti, para ti cantarei.

domingo, 7 de novembro de 2010

 Os peregrinos, de espinho e chifres,
Trazem venenos e um cetro.
Tempos impróprios
Para boas intenções.

O último deles traz más notícias
O profeta sofre
Todas as cidades, todas as fortalezas
Os muros no chão.

Se queres descer, basta dizer
O mais difícil é cair de pé
Enquanto a estrela sangra
E o veneno alimenta.

As gaiolas cantam, o cabelo cai
As pétalas caem em silêncio
Ninguém sabe o nome dos mortos
Caminhos de cruzes, sem Cristo

Cidade infestada de praga e peste
O circos chegou
E mil palhaços tão sujos, doentes
Vendem um disco cada um.

Você pode segui-los à vontade
Eles não vão a nenhum lugar
Os condenados repousam
Nas ruas vestidas tristemente.

Você pode acreditar em seus laços
E terminar sem nenhum
Pode protestar também
E os prédios não vão cair.

Na praça sem bancos
Os mendigos se arrastam.
A prostituta se esconde
Da sua primeira noite.


sábado, 23 de outubro de 2010

 Salmos (fev/2009)


Se lembra do dia e do medo,
E não lembra deles tão cedo
Os lábios amargos se lembram
Dos livros fechados
De muito barulho e fumaça
E as janelas fechadas com blocos,
De antigas promessas
E medo a cada passo.
As roupas velhas
Entre as duas estações
Me falam sobre amor
E eu penso num caixão.
As ruas não têm espaço
E nas janelas dos ônibus
Eu penso sobre Lázaro e Ártemis
Debaixo do viaduto.
Sentado num túmulo leio poemas mortos
Não ligo para tumbas cheias de jóias
Os corredores estão vazios
Apenas tiraram um monte de fotos.
As pessoas no telefone
Não sabem para onde vão
Sentadas atrás das mesas
Vendo as vidas sem sentido na televisão.
A tesoura cega rasga o seu lixo
E o cabelo que não cresce
Os bebês estão nas portas
Junto aos sacos de papel.
Cacos de vidro e lama nos lençóis
Lâmpadas em pedaços
A chuva entra nos eletrodomésticos.
Promessas quebradas e trabalhos sem braço.